Existe uma reflexão que me acompanha há muito tempo. Talvez ela tenha surgido justamente porque sou autista e sempre observei o mundo de um jeito um pouco diferente da maioria das pessoas. Enquanto muitos simplesmente vivem a rotina, eu costumo primeiro observar. Gosto de identificar padrões, perceber mudanças e tentar compreender por que a sociedade funciona da maneira como funciona. Foi assim desde a infância, muito antes de eu descobrir meu diagnóstico de autismo. Mais tarde, quando estudei Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina (UEL), percebi que muitos dos questionamentos que eu fazia já haviam sido formulados por grandes sociólogos. Hoje, ao observar a sociedade contemporânea, tenho a impressão de que ela e a tecnologia estão se tornando cada vez mais parecidas. Não estou falando apenas do uso de celulares, computadores ou inteligência artificial. Refiro-me à forma como pensamos, trabalhamos, nos comunicamos e até organizamos nossa vida. Aos poucos, a sociedade par...